X


Hastes de ferro na parede sugerem a escrita de um X, mas a forma não se completa. Não é um risco, não é uma pintura, não é um objeto. O que é?


1989
ferro pintado
3,78 m x 2,69 m


Sobre a obra X e sua participação na 20ª Bienal Internacional de São Paulo, a crítica Ana Maria de Moraes Belluzzo escreve:

“A apropriação da terceira parede, menor, dá-se em outra escala, numa escrita com a sugestão de um X (um X marca: aqui, um X anula: não). Trata-se de uma sugestão, não chegando a se configurar o sinal, cujos riscos, orientados para diversos sentidos espaciais, se dispersam. A rigor, não se trata de riscos, nem de pintura. Nem tampouco se deve falar em objeto, apesar do desenho ser construído com hastes de metal pintado de preto e valorizado pelas tensões obtidas por meio da ambiguidade existente entre o traçado da mão e o material fundido.”

A descrição de Belluzzo anuncia o caráter múltiplo e complexo da obra de Carmela Gross. Lembre-se: “A rigor, não se trata de riscos, nem de pintura. Nem tampouco se deve falar em objeto…”. Nem o desenho parece dar conta de abraçar os alcances expressivos de X. Às vezes, diante de uma obra de arte, também precisamos saber experimentar uma incógnita ou uma variável que, nas ciências exatas, ironicamente, é representada pela mesma letra que dá nome a este trabalho.


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