Asa


Dar chance à materialidade de uma obra de arte é escutar parte de sua história. Um tecido com betume em uma haste de ferro articulado, o que contam?


1995
ferroarticulado, tecido e betume
1,14 m x 2,72 m x 0,20 m
Coleção Fundação Marcos Amaro. Itu, São Paulo, Brasil


Dar chance à materialidade de uma obra de arte é escutar parte significativa de sua história. Ainda assim, não há consenso: houve momentos em que a composição, as cores e os gestos escolhidos pelos artistas ficavam como pano de fundo de uma narrativa principal e outros em que os vestígios da convivência com o fazer artístico e com a matéria se tornaram preciosos protagonistas.

O ferro articulado preso à parede forma um braço que sustenta o tecido. Ele está posicionado de tal forma que um lado se iguala ao outro, sem sobras. O tecido está coberto por betume e podemos identificar sua textura. Se encararmos esses materiais constitutivos de Asa como personagens, iremos nos deparar com personalidades contrastantes.

A começar pelo betume, uma mistura líquida de alta viscosidade e de cor escura, facilmente inflamável, como a asa de Ícaro, personagem da mitologia grega, que se queimou ao voar perto do sol com suas asas de cera. Obtido por meio da destilação do petróleo, o betume é também chamado de asfalto, algo terreno, pesado, mundano. O braço de ferro pode não remeter à suposta leveza de um elemento voador, mas o eixo articulado alude à dinâmica de movimento presente no voo. Diante de Asa, nesta exposição, um dos desafios é encarar a natureza expressiva dos materiais e conviver com a intencionalidade da artista ora mais, ora menos revelada no conjunto de sua obra.


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