A Negra


Os 74 anos que separam A Negra de Tarsila do Amaral e a de Gross são importantes notas históricas da presença feminina afro brasileira no país.


1997
filó de náilon e estrutura de ferro sobre rodas
3,30 m x 2,00 m x 2,00 m


No texto de 2004 intitulado Duas Negras, Carmela Gross fala da relação entre sua obra e a de Tarsila do Amaral (A Negra,1923), um dos pilares do modernismo brasileiro.

“Existe uma relação desta A NEGRA com A Negra da Tarsila, mas esta relação não foi armada antecipadamente. Elas não se aproximam pelos aspectos formais, nem andam juntas no mesmo espaço. Apropriei-me do nome para repensar meu trabalho em chave histórica. Um ready-made para o título, uma espécie de duto temporal para o nosso modernismo.

A NEGRA, de minha autoria, é um objeto-montagem em ferro e tule de náilon preto, armado sobre rodas, que possibilita o seu deslocamento ao longo da avenida, no asfalto; penso-o também como objeto-imagem, que se mistura ao movimento da rua, dos carros, dos sons e ruídos, das luzes dos edifícios, das lojas, dos anúncios; é ainda objeto-desejo, que contracena com a cidade mutante dos transeuntes – atravessar, voltear, passear, ir e vir, retornar.

A figurade A Negra de Tarsila é território-cor, casa-forma, corpo-pintura na quase total extensão do quadro. Ela é a ala-de-frente, o samba-enredo, a porta-bandeira, o mestre-sala, o destaque e o carro alegórico, tudo ao mesmo tempo, no desfile de um Brasil que se pretendia moderno e olhava para suas raízes em lições de uma escola de samba. Mas, enquanto na obra antológica de Tarsila, a negra aparece como um corpo sem veste, só superfície, no meu trabalho, a figura fantasmática negra é um corpo vazio, com a sua vestimenta de tule.”


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